terça-feira, 31 de agosto de 2010

Em uma certa esquina do Pelourinho...

   
  O Centro Cultural dos Correios tem me surpreendido nas últimas exposições que fui. E surpresas boas, muito boas. Isabel Gouveia, Lygia Aguiar e agora Chico Mazzoni. Este múltiplo artista plástico traz nesta mostra telas com acrílica em baixo-relevo, que causam um efeito quase lúdico. Eu particularmente quis correr os dedos por suas “cidades invisíveis”, e torná-las vísiveis aos meus sentidos. Quis correr os espaços como Marco Pólo, enquanto narrava ao Kublai Khan o desconhecido. Senti-me dentro d’água com “Águas I”, microscópica em “Via quase visível” e por pouco não busco o homem-morcego em “Gotham City”... Aconselho a visita com tempo, pois enxergar o invisível requer uma boa dose de crença e disposição...
   Pertinente falar aqui que a arte na Bahia, seja feita por artistas natos ou aqui pousados de outras paragens, está sendo acalentada por espaços que merecem aplausos.E o Centro Cultural dos Corrreios é um destes espaços. Então, que sejam públicos ou privados, dinheiro meu ou seu, o resultado é o que importa: tornar a arte visível a todos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Uma viagem com gosto de fotografia...


   

     O Tempo com várias facetas...este foi  o  prazeroso guia que me acompanhou  na viagem que fiz pela sexta edição do A Gosto da Fotografia. Comecei com asas nos pés, indo ao MAM apreciar “O Tempo Dissolvido”.  Através dos olhos de Thomaz  Farkas vi recortes de seis décadas de trabalho, que  resultaram  em espelhos de reconhecimento de um Brasil mais que humano, e não esperaria menos do mais humano dos fotógrafos...Pegando carona com um zéfiro que passava, cheguei ao Museu de Arte da Bahia, sentindo o cheiro do realismo fantástico de Boris Kossoy. Nestra mostra,  intitulada “O Caleidoscópio e a Câmara” pude ver alguns pedacinhos de vidro chamados Manaus, São Paulo e Salvador, que formaram um padrão geométrico digno de aplausos. Uma aula de viver, em 40 anos de registro, deste fotógrafo-pensador.   
      Seguindo algumas migalhas de pão intelectual, encontrei o Museu da Misericórdia , e nos recônditos do seu espaço, deparei-me com uma das últimas homenagens feitas a Mário Cravo Neto, por Sabrina Pestana, com imagens completamente despidas de máscaras...realmente: Sem Ponto Final.  Com a técnica do light painting, Ana Lúcia Mariz me convenceu, com um fio de luz, de memória, a passar pelos seus espaços retratados e sublimar o desgaste que exibem. E então vi sua Alma Secreta... Seguindo os sons de sorrisos abertos e peles brilhantes entrei no Solar do Ferrão e trilhei a ponte feita por Ricardo Teles entre a Bahia e a África.  De repente me dei conta que não sabia qual era O Lado de Lá ou de Cá. Infelizmente a dor surgiu no Portal do Não Retorno, mas foi bom, afinal, são as dores que nos fazem lembrar do que não devemos fazer de novo...
   E o Tempo-guia, que inexoravelmente segue para frente, abriu uma exceção e me levou a um campo de juventude, de começos e de esperanças: o Espaço OI Kabum! que, em parceria com a CIPÓ e a UNESCO, promove a formação de jovens carentes para o uso de linguagens multimídias. Com eles fui  ver o Pelô, entretida em uma revista bacana produzida pelos estudantes, e descobri as pessoas que lá existem além do turismo. Também com eles  vi “Caymmi na Lata”, um projeto de releitura poética da obra de Dorival Caymmi através de fotos feitas com pinhole*. E o resultado foi tão mágico quanto a captura das imagens...E é com este sabor do ver, do conhecer, do apreciar que deixo esta viagem e cedo o lugar a vocês....se permitam, vão com gosto! Au revoir...

* Técnica que utiliza uma lata ou caixa pintada internamente de preto e revestida com papel fotográfico, onde a luz entra através de um pequeno orifício, promovendo assim a formação de uma imagem neste papel.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

No Palácio da Aclamação tem fantasmas...


       É um imenso prazer  (tim-tim, na taça com prosecco) inaugurar o Maria Vernissage. Aqui será um espaço para a divulgação e discussão - por que não?- do que acontece no campo das artes visuais em Salvador. Para iniciar nossa conversa tenho que parabenizar a Dimus e o (fofo) Daniel Rangel pela injeção cultural que esta cidade debilitada estava necessitando, e que continuem em doses alopáticas! 

      O Programa Ocupas, com montagens site specifics, vem trazendo ao nosso deleite artistas como José Rufino e Carlito Carvalhosa, e agora temos Eder Santos. Sim, artista renomado, que utiliza a linguagem audiovisual para comunicação e carimba nesta mostra sua habilidade e criatividade com os recursos high tech tão tipicamente seus.
       Descreverei aqui o trajeto que fiz e admito que me surpreendi...Primeiro o Salão Nobre, que apresenta a Galeria das Almas. Confesso que esperei totens gigantes com suas nuvens dançantes e encontrei algo em torno de 1,70m...Depois de cinco minutos observando o ambiente, esqueci o (pré)conceito e me deliciei com o contraste entre o espaço rococó e as peças futuristas. Ah! Fica melhor ainda se conseguirem visitar com quase ninguém por perto. Ainda no Salão Nobre encontramos a obra Humilhação, um conjunto criado entre o genuflexório pertencente ao acervo do Palácio e um quadro onde se projeta  o trecho estático de um vídeo, onde vemos duas mulheres. A estrutura desta imagem me lembrou um daqueles livros infantis com holograma, onde o mexíamos e a capa mudava o desenho. Algo curioso: ao lado do genuflexório tem uma....concha. Declaro humildemente que não entendi a concha. Saí um tanto tensa, talvez fossem os acordes dodecafônicos da trilha musical, ou a incômoda sensação de ser perscrutada por aqueles dois pares de olhos...vale a experiência. Já a Geografia das Sombras, diretamente pensada para a Sala de Banquetes, foi um mergulho olímpico em contos de Edgar Allan Poe. A visualização dos pássaros no teto com suas sombras em movimento é.........vai visitar. Acredito que o único sentimento que esta exposição não irá causar é arrependimento. Até a próxima!!